Domingo foi um dos dias mais pesados pra mim.
O dia que eu tive uma crise fortíssima de enxaqueca e que achei que eu ia morrer, que eu ia ter sequelas, que alguma coisa ia dar errado.
Mas nossa, que exagero pra quem veria de fora, e ainda bem que ninguém que eu conheço se sinta assim, porque é uma sensação horrível.
Não consigo esquecer o desespero por sentir a cabeça pulsar por horas, sentir cada pedacinho do meu cerebro pulsar, queimar, se contorcer, por sentir aquele mal estar, por perder o controle e a força do corpo, por chorar e por sofrer mais, por doer enquanto eu chorava e por sentir o estômago enjoado sem ter comido nada.
Uma das piores partes é ter tentado dormir, tentado acalmar os olhos, tentado meditar, e falhar.
A impotência, a tristeza, o medo me consumiram e a cada minuto que passava, pior eu ficava, menos consciência eu tinha, mais sofrimento eu sentia.
Eu estava na corda bamba entre ir pro hospital e ficar em casa. E eu aguentei até onde pude. Fui com medo pra lá, tive que entrar sozinha, sem enxergar muito bem, mas tentei me manter sã ao máximo. E fiquei pensando se seria algo pior, se eu ficaria isolada e eu nem tive tempo de me despedir.
Fiquei dopada, literalmente drogada, rindo, sem forças e sem ter como pedir pra alguém me levar embora. Ria, falava enrolado e na minha cabeça eu só pensava que precisava sair dali. Juntei todas as forças que tive, e fui, cambaleando pra recepção. Tinha acabado de ouvir que um paciente ia ser isolado e eu nao queria mais ficar ali. O remédio já tinha acabado, era o momento perfeito.
E eu fui, corri pra fora, procurando o carro, fomos pra casa e agi por instinto pra me limpar e dormir. Lembro vagamente das coisas. Eu apaguei, mas no meio desses apagões, eu acordei com falta de ar, como se meu corpo estivesse tão preguiçoso e dopado que nao se dava ao trabalho pra respirar. E eu achei que não ia conseguir dormir, queria chorar, queria levantar, queria respirar.
Acordei, e podia estar melhor, mas estava com a sensacao de suor frio, de cabeça realmente cansada. E desde então, a arritmia me acompanha. Eu poderia estar dormindo e descansando há pelo menos 3 horas mas tô aqui.
Já fiz de tudo hoje e meu coração insiste em bater de forma bagunçada, assim como tem sido minha vida.
