terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Incertezas

Eu odeio incerteza. Incerteza sobre meu futuro. Incerteza sobre como serão as coisas. Incertezas sobre o que fazer.
Detesto me sentir arrependida. Arrependida por não ter tentado mais. Arrependida por não ter te visto. Arrependida por não ir de novo até você, mesmo que fosse pra ser recebida com frieza.
Eu odeio ser ansiosa. Ansiosa em saber como você está. Ansiosa para voltar logo e começar outras metas. Ansiosa pra parar de viver de mentira.
Eu não aguento mais viver de mau humor, me deixar afetar, ficar emburrada, disfarçando sentimentos, fingindo que me importo ou que não me importo. Afinal, eu ligo né...
Queria poder aproveitar essas horas de paz conversando com você. Dessa vez é contigo.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Saudade

A saudade é um sentimento que nem as palavras conseguem descrever. Uma das palavras que não tem uma tradução quando você quer falar sobre elas para alguém do exterior, imagine então para contar como é para alguém. Você lida com algo indescritível.
A saudade é difícil de lidar, é um sentimento que te faz aproveitar qualquer segundo, provável ou não, com quem desperta esse sentimento em você. É a partir dela que você não para de pensar naquela pessoa, lembrar de qualquer momento que seja, sentir um vazio dentro de você mas já saber como poderia ser preenchido.
É ela que tira o sono, aperta o coração e te faz fazer loucuras. Você tenta silenciar a saudade no seu corpo e no seu coração, mas ela é o barulho silencioso que mais vai te incomodar.
A esperança e a saudade andam de mãos dadas no caminho da vida.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A mente

A mente é um instrumento valioso do corpo.

Você não pode perder o controle sobre ela. Deixar de examinar o seu manual está fora de cogitação.

A mente não mente. Não te deixa mentir. E te faz ser descoberto em gestos involuntários. Esperto quem sabe ler e controlar a sua e a do outro.
Tem a sorte grande quem não é consumido pela mente.

Dor.

Se você não souber lidar com a sua dor, como quer aguentar a do próximo? Como dizer a ele que está tudo bem e está fácil de superar e esquecer, se as suas você guarda em um baú na sua mente e no seu coração e abre nas noites frias e escuras?
Seria hipócrita, mas às vezes a preocupação com quem você estima é maior que a realidade que vive e você acha que pode curar as feridas dela.
Mas e as suas dores? Quem suporta pra você se não você mesmo?
A dor pra valer a pena ser sentida, precisa ter significado, precisa marcar você de alguma forma. Gosto de dor assim, que arrepia até a alma. Que te faz desfocar do que acontece a sua volta. Que te faz perder a razão, o sono e o apetite.
É aquela de sentir e de se lembrar de todos os erros da vida. Perguntar pra você mesmo se é isso que merece e então aceitar. Tentar afogar seus pensamentos e suas mágoas e falhar arduamente. E sabe por quê? Porque a vida tem dessas né?

domingo, 5 de novembro de 2017

Inspiração

Queria ter inspiração suficiente em todas as estações e em todos os momentos da vida e não só quando estou deprimida.

Nomes

Já me acostumei com as pessoas errarem meu nome. São tantos derivados da surdez que nem ligo, só aceito e anoto mentalmente. Mas eu tenho pavor de errar o nome de alguém, seja trocar, seja confundir, seja esquecer o nome dito recentemente. Errar nome de quem está sempre perto, de pessoas que não se olham nem mais na cara ou até mesmo perguntar sobre alguém que a pessoa não quer mais nem saber de ouvir. Fico me sentindo mal, pensando na impressão e no mal estar que posso ter causado e em como serão as coisas.
Se algum dia eu errar seu nome, não ache que fiz de propósito ou que não dou atenção, eu apenas... errei.

sábado, 4 de novembro de 2017

Praia

Feriado prolongado é perfeito para ir pra praia.
Pena que todos pensam a mesma coisa e lá fica mais lotado que fila do SUS.
Fiz parte dessa seita e fui também (obrigada a ir, claro) para a praia com todos os parentes que só se vê no fim de semana.
"A casa é boa, espaçosa, dá para todos irem e dormir de boa, só precisa levar comida" - disseram. E claro, se você contar dormir todos coladinhos, inclusive no chão naquele colchão a ar que parece que vai sair de baixo de você a qualquer momento, realmente, cabe bastante gente. Tá, exagero. Mas dormir coladinho no primeiro dia de praia, que você sempre se tosta é o mais difícil.
Legal. Chegamos, tudo arrumado para ir cedinho na praia para aproveitar melhor o dia. Dormir? Não, vamos jogar baralho e dominó até madrugada enquanto os pernilongos jantam a gente. Aos poucos todos vão se cansando e dormindo por ali mesmo. Ah, as aventuras do final de semana prolongado perfeito em família acabam de começar e você já começa a se arrepender ali mesmo.
Dia 1: A trilha até a praia.
"Vamos a pé, é pertinho" - disse o tio animado que nunca leva nada além da cervejinha.

Depois de acordar cedinho, esperar todos irem no banheiro, que não tem uma pausa (pobrezinho), pegar todas as bugigangas (cadeira, esteira, guarda-sol, comida e bebida, bolsas enormes com protetor solar, boné, papel higiênico e tudo mais que tenha direito), começa finalmente a peregrinação cedinho para a praia. Que sonho. Mais de vinte minutos caminhando, com os braços doendo e pensando que uma rede na sombra iria muito bem agora.

Incrivelmente, você e metade da população acharam que indo cedo pegariam bons lugares. No fim, estão todos se ajeitando um ao lado do outro naquela areia quente. Monta guarda sol, monta cadeiras, estende cangas e esteiras e joga areia na cara do amiguinho do lado, mas claro, sem querer, já que o vento do Saara que tecnicamente está jogando pro lado.
Todos se lambuzam de protetor e na primeira rajada de vento já estão prontos para serem feitos a milanesa.
Sempre tem aqueles que vão para o mar, se jogam pra molhar o corpo e vem todo molhado pra cima de você. Todos os alimentos ficam com sal extra e úmidos, com um toque especial de protetor solar. Em 2h ali, você já está com insolação e beberia um galão inteiro de água. Chega o fim do dia, guardam tudo, jogam o lixo fora e correm para ir pra casa e ser o primeiro a tomar banho e tirar 2kg de areia do biquíni. A casa vira uma praia particular, cheia de areia, todos estão molhados, os tios sentam no sofá e não querer nem saber. As tias correm para começar a janta leve enquanto o único chuveiro com pouca água trabalha incansavelmente. Os efeitos do sol o dia todo começam a aparecer e ninguém mais pode encostar em ninguém. Dividir as camas se torna uma guerra. Rola Monange para todos os lados. Mas no fim, todos estarão de pé as 6h para aproveitar o novo dia.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Solidão e seus demônios

Em um restaurante eu me dirigi ao banheiro para fugir de toda aquela gente e poder falar com você. Eu senti desespero e me isolei. Ao mesmo tempo que eu entrei, uma moça saia.
Dei 4 passos e a porta se abriu, era ela de novo, já se explicando que tinha pavor de banheiro público vazio e tinha saído sem nem usar. Agradeceu por eu estar ali e finalmente ela poder usar o banheiro.
Enquanto eu me isolei pra ter paz, ela fugiu dos seus demônios internos da solidão.
Quantas vezes a gente tem medo de estar a sós com nós mesmos e cairmos em um buraco, atolado de pensamentos ruins?
Quando você está sozinho, você foge ou você enfrenta?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bom coração

A dedicatória é pra você.
Você que tem um coração bom e maior que toda a maldade que um dia possa aparecer.
Que se tornou um homem sensacional, maduro quando precisa ser; certo quando é necessário; carinhoso a todos em sua volta; com um senso de humor afiado e no ponto certo; que sabe brincar e aceitar as brincadeiras, e que esta aprendendo a se aceitar e a se amar.
Esse texto é pra você, que é amado por todos e que cativa as pessoas com esse jeito intrigante e gostoso de conviver.
Você é um homem, sem molecagens que você tanto deseja, e é isso que te torna assim, um menino de ouro com uma essência valiosa.
Nunca deixe que digam ao contrário
Você é maravilhoso. Você é único.
Sorte daqueles que têm a oportunidade de ter você ao lado.
Sorte a minha em te ter aqui.
Obrigada.

domingo, 16 de julho de 2017

Pra você

O risco compensou todas as vezes. Por mais errado que fosse, o coração sempre falou mais alto ~e eu acho que sempre vai falar~
Os momentos juntos, a confiança que aumentou em poucas semanas, a cia nas madrugadas difíceis, o cheiro nas roupas, as descobertas únicas, o olhar que dizia bem mais do que qualquer carta.
Não me cansava de te olhar, em meio a multidão, e sentir que ali era nosso momento, que o mundo tinha parado por uns segundos pra gente ser o que queríamos ser, e sempre soltar um sorriso discreto e simples, mas cheio de sentimentos bons e de saudades.
O mais singelo presente, que achei depois de muito procurar, foi dado e pensado com todo o carinho, pra que todos os detalhes e todos os momentos bons pudessem ser memorizados ali. Pra que sempre eu pudesse ter boas lembranças do que passamos. 
É inevitável lembrar de todos os dias até a última sexta, o auge do que sentimos, como foi uma noite agradável, o passeio, as mãos, os corações sincronizados, e não soltar um sorriso.
Como esquecer da lua em seus dias gloriosos? A cada vez que olho pra ela, é em você que eu penso.
O aconchego no colo enquanto sentia o calor do corpo (e que calor!) 
Até o cheiro de amaciante me faz lembrar você.
Deveria ser muito mais fácil superar isso.

Ulti

Quando menos se espera. Quando tudo parece estar caminhando. A montanha russa despenca. E tudo é em vão.
Você nunca acorda esperando o pior, mas ele vem. Cedo ou tarde. Eu fiz muita coisa que não devia, "mas como você dorme a noite depois de tudo que fez?" Durmo porque sei que no sonho eu posso fazer tudo que eu quiser sem medo. Tomar todas as decisões que eu realmente quero, sem nem pensar duas vezes nos outros.

Eu nunca escolhi ser o remédio e o aconchego pra quem quisesse me usar. Eu nunca escolhi o que fizeram comigo.
As decisões instintivamente que eu tive foram parte do que eu quis, do que eu realmente quis.
Essas sim eu tive coragem de fazer. Poucas vezes na vida eu cai de cabeça como foi dessa vez. Poucas vezes eu me senti tão segura como com você.  Pode soar falso, pode parecer duvidoso pra quem vê de fora, pode não parecer real pra você, mas eu consigo assumir isso pra mim e, consequentemente, pra você.
E a cada movimento, a cada situação, eu sinto mais falta de você.
Todo dia eu peço que seja só um pesadelo e que no fim, a gente possa viver e relembrar tudo isso. Rindo de nervoso, enquanto você se aconchega no meu colo...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Hábitos

Todos os dias quando eu vou embora das aventuras da vida vejo um cachorro no portão de uma casa ou galpão, não sei bem definir, esperando alguém abrir pra ele. Balança o rabo, fica com uma pata dentro, late, apoia e fica com a pata em uma das lacunas do desenho do portão.
E todos os dias ele espera a boa vontade de alguém pra abrir pra ele e assim, ele voltar ao aconchego do costume.
E a gente também é assim. Quer sair, quer aproveitar, quer liberdade. Mas a qualquer momento quando enjoar do que tem lá fora. Volta pra dentro. Quando se sente sozinho, busca aconchego. Quando sente fome, entra pra comer.  Quando sente um vazio busca o amor pra aquecer.
E quantas vezes na vida vamos errando pedindo o exílio depois de ter pedido liberdade. Ou de ter saído sem nem pedir e voltado implorando por clemência?

Hoje tudo mudou em uma conversa e hoje ele não estava lá.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Dormir

Eu não consigo dormir perto de algumas pessoas.
A hora do sono é a hora mais frágil que você se permite ficar. É a hora que você sonha o que deseja ou o que mais tem medo. É a hora que o cansaço te consome e voce cede. Como dormir perto de algumas pessoas nessa hora tão única?
Então se eu dormir do seu lado, saiba que eu confio em você pra me proteger do mal e do ridículo.

sábado, 10 de junho de 2017

Atolar-se

Hoje me vi atolada no barro.
Na situação me deparei com a falta de opções no caminho para reverter a situação e em uma plateia pelo retrovisor.
De início eu achei engraçado o momento.
Mas do que eu não acho graça hoje em dia né?
A minha risada se tornou um escape para muitos momentos. Mas melhor sorrir do que chorar (?), então me acostumei.
...
Parando para pensar na presepada, posso dizer que eu sou o carro e as oportunidades são o barro. Eu sou a única responsável por aquilo, por manusear o carro e por decidir por onde eu passarei. De longe já vejo um geral de como está a grama e quão molhada a terra está. A decisão é somente minha.
Quando atola-se em um determinado ponto, é preciso sair dali, e se atolou é porque algo deu errado na sua escolha. E aí você luta, luta, luta. Muda de caminho. Tenta reverter. Escorrega pra um lado. Escorrega pra outro. E de uma coisa é certa: você jamais sairá dali limpo e sem uma ajuda pra te empurrar pra fora daquele lamaçal todo.
Por isso uma amizade verdadeira é essencial pra te tirar da lama.
Junto com o alívio em sair daquele buraco, avistara a marca no chão que você deixou naquela oportunidade e verá quais marcas ficaram em você.

sábado, 3 de junho de 2017

Insensibilidade

Procuro meios para te colocar de volta aqui. Procuro meios para suprir a necessidade que está adormecida.
Uso de maneiras para contornar a situação...e hoje...bem, hoje faz 1 semana que você se foi.
Todo dia me pergunto o quão insensível eu sou e quão insensata estaria por não chorar por você. Cadê o luto digno?
Dentre todos que já pude conviver, a única que liderava meu pilar era você. Mas e agora, o que vai ser de mim?
Minha rotina está recheada de buracos, de não saber o que fazer.
Não quero esquecer seus sons, seus cheiros, seu olhar pra mim - aquele que dizia mais que qualquer palavra. Me recuso a esquecer...apesar de já estar.
Foram 13 anos. Treze. Aquele número que pode ser de sorte ou maldito. Furamos nossos planos quando as coisas saíram do controle. E eu ri. Ri para não chorar. Ri por desespero. E evito pensar que você se foi.

E todo dia, todo santo dia, eu procuro maneiras de te encontrar.

domingo, 28 de maio de 2017

Temível

O medo era tão grande que a consumiu por inteira.

Nyna

17/03/2004 - 28/05/2017

Meus joelhos fraquejaram pela primeira vez na minha vida.
Um pedaço de mim, essencial para meu bem-estar, havia me deixado.
Lembro-me claramente daquele último suspiro enquanto eu te olhava de longe. Tentando sair daquela sala para fazer algo que meu coração gritava para não fazer.
Ny, você foi boa pra mim desde o primeiro dia, quando eu tirei a sorte grande em te ter nos meus braços.
Aquela coisinha fofa que sempre encantou a todos que passavam.
"Quantos meses?" era o que mais ouvíamos.
"Guarda a língua" era o que eu mais te dizia quando saíamos.
"Pãozinho" era sempre que queríamos que você nos desse atenção pra ganhar comida.
"Xixi" era a palavra mais dita na nossa rotina.
Morder cutículas era a sua especialidade. E eu levarei cicatrizes na mão como forma de lembrança do meu amorzinho bravo e feroz.
Todo sacrifício vale a pena por você. Sempre valeu.

Lembra da nossa ida pra Aparecida com seus latidos no meio da missa? Dos nossos passeios?
Quando você aprontava, suas reações denunciavam. Quando estava brava com a gente, bastava uma virada de cara esnobe. Mas nada durava muito tempo. Bons tempos que vou guardar pro resto da vida.
Nossa conexão sempre foi incrível. Se uma não estava bem, a outra também não ficava.
E meudeus, como você foi forte, corajosa e lutou para estarmos sempre juntas...
Sou muito grata por você ter me escolhido.

Eu te amo, Ny.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O garoto

Por mais que vivesse rodeado de amigos, de parentes e de uma rotina consumidora, ele continuava se sentindo sozinho. A introversão tinha culpa nisso, claro, mas ela não era a única causa. A verdade só era clara em seus pensamentos e na madrugada solitária. Era lá que ele se sentia confortável para pensar em todas as decisões do dia, era lá que ele tinha a confiança para relaxar e fazer o que bem entendesse.
Nessa altura da vida, sentia falta de algo para se orgulhar. De algo para encher o peito e dizer: "esse sim, esse eu levo pra vida". Talvez alguém o completaria, bastava ele procurar e abrir o coração. Mas por vezes tinha medo de se abrir, de dizer o que pensava, de receber críticas e qualquer coisa que o desmotivasse.
A vida já o punira o suficiente, para que mais?
Seria o secundário da vida alheia, o apoio a quem precisava, a intimidade de quem precisasse, mas chegou o dia que ele precisava de alguém como ele, e isso o atormentava pelas madrugadas frias em companhia de um cobertor que não o aquecia.
Quando algo o chamava a atenção, sentia seu coração bater fora do corpo. Sentia o corpo todo vibrar e tremer. Não sabia lidar, talvez por medo, talvez por inexperiência. Então ele fugia.
Fugia para a vida que criara na sua cabeça, com o coração em ordem, a cabeça em paz e o espírito livre.

A devoradora

As lendas dizem que a bela moça um dia se tornou devoradora de devotos. Devotos da vida, do santo, do filho, do pai e de mulher.
Era chamada de prima da Medusa. Parecia inofensiva. Quem via de fora, jamais imaginaria que uma mocinha daquelas conseguiria digerir pedaços de homens devotos. Muitos achavam que a dominariam, encaravam aquilo como um desafio. Muitos tentaram. Poucos sobreviveram.
O poder de consumir algo a despertava interesse. Nunca dizia claramente o que estava pensando. Mas agia, manipulava e digeria os devotos.
O número de vítimas dependia do seu poder de sedução e persuasão. Contam que teve dias que eram três. Café da manhã, almoço e janta.

Como todo ser maligno, tinha medo de ser descoberta, então escolhia muito bem as vítimas. Cautelosamente agia. Jogava seu charme, abria-se para o escolhido da vez. Mostrava a sinceridade e fazia com que todos confiassem no ser verdadeiro que ela era.
Por muitas vezes, foi realmente verdadeira, já que depois eles deixariam de existir, seu segredo estaria seguro. Contar as coisas aliviava a moça, que apesar de ser uma devoradora, ela também tinha sentimentos ocultos.

Se perguntasse o seu maior medo, ela diria: "Medo de ser descoberta". Aí o seu fim estaria marcado. Mudaria de cidade, de país, de convívio. Até la, ela continua seguindo.
Podem falar o que for da moça, mas o que ninguém sabia era que, no fundo, o que a transformara nesse temível monstro foi a dor de uma desilusão.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Conto

Era uma vez uma menina, amada por todos. Exemplo de vida a ser seguido e colocado em um quadro na parede da casa da matriarca.
Era motivo de citações boas e de ódio das outras meninas do reino.
Um belo dia ela desprendeu-se do que era certo. Havia se cansado daquele patamar. Queria evoluir. Tinha medo das críticas, mas seguiu em frente.
Apaixonou-se por um príncipe encantado. Que lhe dedicava serenatas e declarações de amor. Decidiu, então, dar uma chance ao sentimento que sempre teve por ele desde o primeiro olhar naquele baile. Começaram um romance bonito, mas que mais tarde traria surpresas a todos.
Quando vivendo na maioridade de suas escolhas, tropeçou na vida. Feio. Não sabia mais como lidar.
Ao olhar pro lado, nas noites frias, via a solidão e o abandono do príncipe. Mandava cartas de amor que agora não estavam mais sendo correspondidas. Onde ela tinha errado para não merecer mais a companhia dele ao seu lado? Deixara de ser digna?

A saudade apertou o peito de uma forma que jamais ousaria sobreviver.
Sentia que era seu fim.
Desgostou-se da vida e dos amores. Nada mais fazia sentido. Nada mais se mostrava em seu destino. O que seria dela naquela vida olhando sempre para a lembrança que ele deixara nela?
Nunca soube responder.
Noites e noites sem resposta.
Dias que ousavam não passar. Sorrisos amarelos que a acompanhavam na solidão eterna.
Dizem por aí que a bela moça mudou. Que depois do fim do amor (se é que esse amor teve fim) foi viver em outro reino, com outra forma de lidar com sentimentos, amaldiçoada por aquela escolha que havia feito e todo dia cuidando de sua cicatriz.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entrada liberada

Nunca dê liberdade à alguém. Nem deixe que entre e bagunce sua casa. Quanto mais confiáveis são as pessoas, piores são suas ações obscuras.
Ele chegou no auge do fracasso da vida. Não profissional, que já largou de lado. Até o próximo surto, claro. Mas no auge do fracasso emocional. Das fraquezas. Do pecado. Da morte da confiança.
Quanto mais cheio, mais vazio.
Quanto mais tempo, menos espaço de tempo disponível.
Quanto mais feliz por fora, menos luz por dentro.
Quanto mais pessoas, mais solitário se sentia.
Clichê? Muito.
Realidade? Infelizmente.
E todo aquele sentimento ruim aumentava com o tempo. O karma, o mal, o resultado das ações. E ele já estava sem chão, sem poder, sem controlar sentimentos, sem poder definir o que queria fazer. Era só a estrutura que o representava na sociedade.
Que fim ele terá? É a pergunta que mais ecoava naquela cabeça confusa.

Bibelô

Sempre que visito uma casa eu reparo se ela tem bibelôs espalhados pelos cômodos. Uma casa sem bibelô não é uma casa acolhedora, que tenha histórias para contar, pessoas e lugares para citar e serem lembrados.

Uma casa sem bibelô é apenas uma moradia.

Na minha casa sempre teve todo tipo de bibelô, de nossos passeios ou de pessoas que lembraram de nós enquanto se divertiam. É com esses detalhes que se sabe quando uma pessoa tem boas amizades e quão vivida ela se tornou até ali.
E é assim com as pessoas também. Não há alguém que possa ter uma casa interna limpa de bibelôs e ser confiável. Como não conhecer o passado e as marcas da vida dela? Por onde passou ou quem passou por sua trajetória e ainda sim dividir momentos com ela. E a curiosidade de saber quem ela realmente é?
Diga-me com quem andas e eu direi quem és.

Técnicas

Quando eu era mais nova, me ensinaram que para memorizar nomes, eu deveria associar a nova pessoa com quem eu já conhecia de mesmo nome. E essa foi uma prática muito útil por anos. Admito.
Quando eu entrei no mundo profissional, que me exigia lembrar de pessoas e fingir a proximidade, chamando-as pelo nome, eu me dava bem. E isso funcionou muito bem até uns 2 anos atrás, quando tudo começou a decair.
Pessoas da minha rotina deixaram seus nomes esvaecerem-se pela nuvem da minha cabeça e agora eu já não lembro nem como eles eram importantes ou deixaram de ser.
A sensação ruim a cada dia mais vai me consumindo e eu me espanto, não só em não lembrar nomes, mas por não ser reconhecida por mim mesma nos trabalhos diários.
Hoje foi um dia interessante, quando uma pessoa veio até mim, com seus codinomes de rede social e eu simplesmente não tive certeza do seu nome, deletando assim o nome na hora de responder um comentário sobre bons tempos, com medo de ser um chute além. Mas não seria. Fui confirmar depois.
E indo mais além, notei que o nome tinha sido substituído por outro, e não mais assimilado a pessoas, usando aquela técnica que me foi útil por anos. E indo mais além ainda, notei que eu criei uma simbologia importante e ruim para esse nome, então assim, apenas de lembrar desse nome, eu já me lembraria dessa nova pessoa e de todo o emocional envolvido.
Os nomes me perseguem, o ciclo se vicia de novo, as figurinhas repetidas de nomes surgem novamente, e a vida...bom, a vida vai pregando peças cada vez maiores.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Cansaço

O coração se cansa, por mais exercícios que você faça, não suprirá o cansaço emocional. A arte de esperar, de cogitar coisas, de imaginar diversas situações que poderia viver, que poderia sentir. Os beijos, abraços, afagos, cafunés com quem você ama (se é que a gente sabe o que é amar). Tudo isso, quando não retribuído, magoa e machuca o coração. E quando se fala em coração, é aquele sentimento que irradia e queima do fio de cabelo ao dedão do pé. Parece clichê dizer, mas é isso, um sentimento bom que invade e contamina temporariamente quem está sentindo e quem está em sua volta.

Há dois tipos de pessoa: as que se fecham emocionalmente e deixam o racional agir, para evitar mágoas; e as que se machucam, batem o pé e dizem que não vão deixar se enganar mais, mas em qualquer vacilo do tempo, estará ali, de forma aberta e clara ou de uma forma mais tímida, porém válida. Aliás, vale lembrar que "Toda forma de amor é válida".

Talvez tudo não passe de paixões passageiras, talvez quem lhe escreve é um desiludido da vida, talvez o amor seja complexo demais para tentar entendê-lo. As coisas sempre parecem mais claras e mais resolvidas quanto realmente parecem. Vai da sua força de vontade de lutar por algo que mostra o quão preparado você está. E no fim, ninguém está pronto.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Promessas

O ano é novo
As promessas são as mesmas.
Os objetivos se misturam.
....mas os erros não podem ser os mesmos. Não mesmo.