terça-feira, 16 de maio de 2017

A devoradora

As lendas dizem que a bela moça um dia se tornou devoradora de devotos. Devotos da vida, do santo, do filho, do pai e de mulher.
Era chamada de prima da Medusa. Parecia inofensiva. Quem via de fora, jamais imaginaria que uma mocinha daquelas conseguiria digerir pedaços de homens devotos. Muitos achavam que a dominariam, encaravam aquilo como um desafio. Muitos tentaram. Poucos sobreviveram.
O poder de consumir algo a despertava interesse. Nunca dizia claramente o que estava pensando. Mas agia, manipulava e digeria os devotos.
O número de vítimas dependia do seu poder de sedução e persuasão. Contam que teve dias que eram três. Café da manhã, almoço e janta.

Como todo ser maligno, tinha medo de ser descoberta, então escolhia muito bem as vítimas. Cautelosamente agia. Jogava seu charme, abria-se para o escolhido da vez. Mostrava a sinceridade e fazia com que todos confiassem no ser verdadeiro que ela era.
Por muitas vezes, foi realmente verdadeira, já que depois eles deixariam de existir, seu segredo estaria seguro. Contar as coisas aliviava a moça, que apesar de ser uma devoradora, ela também tinha sentimentos ocultos.

Se perguntasse o seu maior medo, ela diria: "Medo de ser descoberta". Aí o seu fim estaria marcado. Mudaria de cidade, de país, de convívio. Até la, ela continua seguindo.
Podem falar o que for da moça, mas o que ninguém sabia era que, no fundo, o que a transformara nesse temível monstro foi a dor de uma desilusão.

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