Por mais que vivesse rodeado de amigos, de parentes e de uma rotina consumidora, ele continuava se sentindo sozinho. A introversão tinha culpa nisso, claro, mas ela não era a única causa. A verdade só era clara em seus pensamentos e na madrugada solitária. Era lá que ele se sentia confortável para pensar em todas as decisões do dia, era lá que ele tinha a confiança para relaxar e fazer o que bem entendesse.
Nessa altura da vida, sentia falta de algo para se orgulhar. De algo para encher o peito e dizer: "esse sim, esse eu levo pra vida". Talvez alguém o completaria, bastava ele procurar e abrir o coração. Mas por vezes tinha medo de se abrir, de dizer o que pensava, de receber críticas e qualquer coisa que o desmotivasse.
A vida já o punira o suficiente, para que mais?
Seria o secundário da vida alheia, o apoio a quem precisava, a intimidade de quem precisasse, mas chegou o dia que ele precisava de alguém como ele, e isso o atormentava pelas madrugadas frias em companhia de um cobertor que não o aquecia.
Quando algo o chamava a atenção, sentia seu coração bater fora do corpo. Sentia o corpo todo vibrar e tremer. Não sabia lidar, talvez por medo, talvez por inexperiência. Então ele fugia.
Fugia para a vida que criara na sua cabeça, com o coração em ordem, a cabeça em paz e o espírito livre.
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